Alex Elias II
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Tratar dos recursos hídricos em sua complexa relação direta e indireta com cada um de nós é evidenciar que a conscientização é mais do que uma simples variável perceptiva a ser instigada como uma argumentação social de prioridades.

Constata-se nestes últimos anos, talvez por questões culturais, que depois de efetivada a polêmica discussão sobre a água, tudo parece ser esvaziado e transferido para o acaso dos bastidores das prioridades públicas.

Refiro-me, principalmente, quando observamos o baixo nível de eficiência nas atividades práticas administradas por algumas competências imediatas e diretas (prefeitura ou órgãos responsáveis por determinada localidade). Divagaremos sutilmente sobre o reflexivo comportamento do aparelho Estado como agente arbitrário.

Meu questionamento parte: frente a atual cultura política, onde se nota uma amistosidade ao agregado de estratégias nacionais que eu chamo de “cenário das impressões”, será que chegaremos a ser considerados conscientes da necessária sustentabilidade na utilização desse recurso tão presente na atividade econômica e básica para o ser humano? Se, nos tornarmos, em que ritmo e quando atingiremos o nível que possa ser considerado adequado?

Em outras palavras: evidenciamos em nosso amplo contexto sócio-econômico, refiro-me a população científica e na sociedade em geral, uma percepção e um sentimento de apreensão que podemos qualificá-los como “amadurecidos” frente à degradação ambiental, incluindo-se aí, os recursos hídricos.

Pergunta-se: quanto aos responsáveis pelas decisões, não apenas referente as suas elementares ações institucionais, mas também, pelas atitudes tangíveis de caráter prático, até que ponto estariam “politizando” suas argumentações e re-ações para silenciar aquilo que, em suas crenças culturais básicas, qualquer crise sobre a água ainda nada significa além de certos “rumores”? O que podemos afirmar sobre um médico que se apresenta com um cigarro entre os dedos, recomendando, ou melhor, conscientizando, os fumantes a deixarem o vício? Não seria este um referencial exemplar de como a nossa “conscientização” pode ser medida como sendo ou não, séria e autêntica?

Continuando: os problemas das hidrelétricas que há tanto tempo foram evidenciados pela comunidade científica e alertados pelos veículos de comunicação, serviram de alguma forma para conter os blecautes? A política de segurança pública a partir daquele seqüestro no ônibus 174 na cidade do Rio de Janeiro, que instigou o Presidente da República a lançar emergencialmente um “Pacote de Medidas de Segurança”, solucionou o verdadeiro refrão da violência?

Agora, aqui: qual seria o grau admissível de tolerância ao estarmos expostos nesse turbilhão de tendências culturais políticas em relação aos problemas hídricos que, facilmente, pode tornar a todos nós vulneráveis a sérios problemas econômicos em relação ao nosso ideal de abastecimento?

            Complementando: Quanto à percepção da sociedade, me refiro a das escolas, dos campos e das ruas da cidade, não vejo dificuldade em vê-los instruídos quanto a vivenciarem usos criativos dos recursos hídricos a fim de promovermos a necessária sustentabilidade qualitativa e quantitativa de nossos recursos hídricos. Mas, frente a esse comportamento social, parece ainda estar faltando alguma coisa, talvez um caldo cultural mais convincente em termos de atitudes políticas factuais... Ou talvez, um problema mais agravante do que apenas “rumores” no problema das águas, para a partir daí, conseguirmos politicamente evidenciar quem é o verdadeiro vilão da insustentabilidade sem nada mais podermos fazer, a não ser é claro, especular e investir em medidas emergenciais. Transformarmos por fim, o vilão em mocinho...

Infelizmente, creio que as variáveis predominantes contra os descompassos na utilização e preservação dos recursos hídricos estão na luta contra as medidas paliativas e refratárias do próprio governo, formado por tal cultura política que busca enfatizar a subjetividade em suas atividades, para assim, mitigarem problemas que conferem, nitidamente, caráter objetivo. Ou seja, investe-se tempo e dinheiro em polêmicas e medidas que amenizam o que podemos chamar de “necessidades psicológicas” da população, com isso, esperam aumentar o volume de água nas torneiras e baratearem cada vez mais o seu preço por m³ consumido.

            Para fechar a discussão, basta verificarmos, por exemplo, o nível de desperdício causado pelas tubulações das redes públicas de abastecimento urbano e a desordenada urbanização em áreas restritas de mananciais, isso sem entrarmos em outros descompassos reais (objetivos) oficializados.

Responda-me: Todas essas discretas evidências, entre outras mais que aqui não foram mencionadas, não acarretam num bom motivo para imediatamente reclamarmos por uma verdadeira conscientização? Ou devemos optar, emergencialmente, por uma nova interpretação dessa palavra?

 

 
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