Janeiro 1999
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REFLEXÕES  SOBRE  A  ÁGUA...
Tudo o que você precisa saber sobre a água, agora também na Internet: sergiosilva@higiservice.com.br

==ANO IX == Nº. 102 ===== JANEIRO / 1999 ==== Colaboração Sergio Silva ======

A INCESSANTE DANÇA DA ÁGUA 
O conteúdo daquele último copo d'água que você bebeu, algum dia já flutuou pelos ares, formou nuvens e despencou dos céus em forma de chuva. Já esteve no fundo da terra, navegou por rios, afundou nos mares e boiou como parte de algum iceberg. 
Ao longo de milhões de anos, praticamente nada se perdeu do estoque original de água do nosso planeta. A mesma água que você já bebeu, está sempre sendo bombeada pelo chamado ciclo hidrológico, iniciado quando o calor do Sol aquece a superfície dos continentes e dos oceanos, fazendo com que uma parte das moléculas de água evapore e suba ao céu. Além disso, ao transpirar, os seres vivos também contribuem para a reserva de vapor da atmosfera. Em determinado momento, esse vapor se condensa e volta à forma líquida, transformado em chuva, cuja maior parte (cerca de 2/3), cai sobre os oceanos. 
G
raças às correntes marinhas as moléculas de água passeiam entre a superfície e o fundo, numa viagem que pode durar 1.000 anos. O restante, se não vai para os rios e lagos, infiltra-se na terra. No subterrâneo, segundo o ciclo natural, o líquido precioso pode ficar entre 200 e 10.000 anos, conforme a profundidade do lençol aquático, até borbulhar em alguma nascente ou mesmo jorrar em um fumegante gêiser. Nesse instante, finalmente, retorna à superfície para, depois de certo tempo - alguns dias ou até milhões de anos - essa mesma água evaporar e chover novamente; no Rio Jordão, no Oceano Índico, no telhado de sua casa, ou na Represa que abastece alguma cidade! 
E, quem sabe, saciar a sede de outro ser vivente...


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"AFOGAR A SEDE" AINDA É MISTÉRIO 
Um dos pequenos grandes prazeres de todo ser humano é afogar a sede  com um refrescante copo d'água. A ciência, porém, ainda não sabe o que gera essa satisfação única e imediata. "Provavelmente, quando a mucosa da boca é umedecida e o estômago se dilata com o líquido, receptores nervosos mandam sinais ao cérebro", suspeita a fisiologista Frida Zaladek Gil, da Escola Paulista de Medicina. "Mas devem existir outros disparadores da saciedade", diz ela. No entanto, desde os anos 50 a ciência conhece o processo pelo qual a sede aparece, como um desejo urgente. "Existe uma enorme quantidade de sódio dissolvido na água do organismo", explica Frida. 
Ao se perder líquido - pela urina, pelo suor ou ainda na forma de vapor, pela respiração - aumenta a concentração desse mineral no sangue. O cérebro, ao notar o excesso de sódio, manda a glândula hipófise produzir hormônios que desencadeiam a sede. A água compõe 70 a 80 por cento do peso corpóreo humano, chegando a 90% nos recém-nascidos, por causa de seu metabolismo acelerado. Afinal, todas as chamadas reações bioquímicas dependem desse fluído vital. É por isso que, se não houver a renovação do estoque de água, o ser humano pode morrer de sede em até dois dias. 

"A LIQUIDEZ DO NOSSO PLANETA" 
Na Terra devem existir cerca de 12.872.000 quilômetros cúbicos de água fresca, como os especialistas preferem designar a conhecida água doce. Mas esse volume impressionante corresponde a apenas 1/16 da sua reserva hídrica. Todos os lagos, juntos, representam somente 0,01% da água do planeta; a atmosfera não contém mais que 0,001% na forma de vapor e, finalmente, todos os rios, somados, reúnem apenas 0,0001%... 
É como se toda a água do mundo passasse por um funil: existem 16 litros de água salgada para 1 único litro de água fresca. Desta, 2,7 litros em cada 10 estão nas geleiras polares. Resta ao homem, portanto, extrair água do subterrâneo, que esconde 7,2 de cada 10 litros disponíveis. Ou então servir-se das águas das chuvas, cujo volume representa duas meras colheres de sopa para cada litro de água fresca da Terra. E ainda, com tanta desigualdade na distribuição dessa água, toda preocupação ainda é pouca!

VASSOURA HIDRÁULICA” 
Na condição de maior cidade do país, os problemas de São Paulo também são enormes. Entre eles está o desperdício  de água tratada. Tentando minimizar o prejuízo, os engenheiros da Sabesp encarregados de estudar o assunto, chegaram à conclusão de que uma das formas de desperdiçar água é o procedimento que denominaram pelo curioso nome de “vassoura hidráulica”. 
Não se trata de alguma novidade, ou mesmo de algum novo equipamento, mas sim de um danoso costume cultivado por pessoas inocentes, comodistas e/ou irresponsáveis, que consiste em “varrer” a sujeira das calçadas, pátios e outros pisos, com o jato d’água de uma mangueira comum de jardim. 
Pelo que temos observado, essa prática está crescendo em Belém. A Cosanpa poderia dedicar mais atenção ao assunto. A empresa possui pessoal altamente qualificado para conseguir minimizar o desperdício, mas a sua ação depende, apenas, de vontade política da sua diretoria. 
Em São Paulo, o engenheiro Paulo Massato, do setor de abastecimento de água da Sabesp, afirmou que é possível reduzir 30% no consumo de água, com apenas duas medidas simples e inteligentes: “não deixando torneiras abertas ou pingando, e abolindo a vassoura hidráulica”.  
Acreditamos que isso interessa muito aos condomínios, tanto de Belém, quanto de qualquer lugar.  

        C O N T A - G O T A S       

O oceano tem mais mistérios para os cientistas do que para os marinheiros: ainda se ignora por que ele não fica cada dia mais salgado, já que está sempre recebendo minérios. 

A salinização ocorre apenas em pontos isolados, como o Mar Morto, por não existir escoamento para a água. 

Mas, em geral, inexplicavelmente, no mar encontra-se cerca de 30 gramas de sal por litro. Na realidade, somente onze elementos químicos compõe 99,9% dessa água que é considerada o mais complexo fluído de que se tem notícia.

 "Entretanto, o 0,1% restante pode conter todas as substâncias conhecidas, até ouro dissolvido!"

(Walkyria Lara - Instituto Oceanográfico da USP    
/   Super Interessante-out/90)   

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"Não importa quantos neurônios há no teu cérebro. Tente usar pelo menos uns trinta..."  
( S. Silva )

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Sergio Silva