Dezembro 1999
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REFLEXÕES  SOBRE  A  ÁGUA...
Tudo o que você precisa saber sobre a água, agora também na Internet: sergiosilva@higiservice.com.br

==ANO X== Nº. 113 ===== DEZEMBRO / 1999 ==== Colaboração Sergio Silva ======

CONGRESSO NACIONAL PODE DESFIGURAR "ANA" 
Para quem ainda não se acostumou com a sigla, “ANA” é o nome pelo qual está sendo conhecida a Agência Nacional das Águas, cujas normas de funcionamento pretendem regulamentar a Lei 9.433/97, que dispõe sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Recursos Hídricos.  
Considerando que o maior desafio a ser resolvido pela humanidade nas próximas décadas será a insuficiência de água doce, a Lei 9433/97 é uma necessidade, mesmo significando a cobrança pela água que era grátis. É preciso que os Comitês das Bacias Hidrográficas sejam dotados de braços técnicos com poder de cobrança de taxas para a utilização da água de rios, lagos, represas e poços tubulares. Desde que os recursos retornem em benefício da região explorada, claro.

Se a água não passar a ter uma conotação de “produto de exploração rentável”, cuja riqueza seja revertida em benefício da comunidade do local gerador da produção, também não haverá como impedir o seu mau uso, poluição e desperdício. Pela nova ótica, todos pagarão taxas sobre a água que extraírem da natureza. E também poderão ser penalizados pelos eventuais estragos que cometerem, ao poluir mananciais ou destruir o bem comum. Desde produtores rurais com irrigação ou consumidores urbanos com poços particulares ou exploradores de fontes naturais, até companhias operadoras das redes públicas de abastecimento; todos serão enquadrados pela nova lei. 
A estória é velha e conhecida. Há anos estamos repetindo, inclusive nesta coluna, que a falta de água seria motivo de guerras. Já está sendo. Enquanto os árabes produtores de petróleo estão importando milhões de barris de água potável a preços superiores aos do petróleo que os seus paises exportam... negros africanos estão morrendo aos milhares diariamente, na mais completa e absoluta miséria. Falta a água, sobram as moscas que proliferam em cadáveres insepultos, retratando a miséria de todas as doenças disseminadas pela insensibilidade humana que finge não saber que muitos povos africanos estão sendo dizimados por uma incontrolável mortalidade. Quem liga? 
Portanto, mesmo que a solução do problema da falta de água seja o maior desafio da humanidade para as próximas décadas, não se trata de um problema do “próximo milênio”... É deste milênio. De hoje, de agora!
Enquanto o mundo gira, os nossos doutos, sábios e sensíveis parlamentares federais brasileiros, no seu eterno puxa-encolhe de curiosos interesses, estão direcionando o projeto de lei de criação da ANA de forma equivocada e retrógrada. Poderão eliminar a soberania de gestão dos Estados, já garantida na Lei 9.433/97 e conferir à ANA um forte caráter cartorial, anulando a participação da sociedade no processo decisório. Se bobear o Planalto ficará com a faca e o queijo. Ou seja,  poder e dinheiro, como sempre!

PONTO DE EQUILÍBRIO” QUESTÃO DE INTELIGÊNCIA 
Recentemente a Organização das Nações Unidas declarou que o nosso planeta atingiu a marca dos 6 bilhões de habitantes! A ONU escolheu uma criança para simbolizar o evento! Houve euforia, uma verdadeira festa. 
Em quê estarão pensando as iluminadas cabeças dos membros da ONU? Por qual razão decidem comemorar esse evento tão grave? Deveriam, isto sim, divulgá-lo como motivo de grande preocupação e incentivar uma urgente reflexão sobre essa explosão demográfica. A presença da raça humana em nosso planeta já rompeu o ponto de equilíbrio ecológico há muito tempo, tanto em quantidade como em forma de ocupação.
A nossa espécie se ufana declarar-se racional e, portanto, inteligente, mas não faz uso inteligente da própria racionalidade... Estranho? Confuso? Nem tanto.
Precisamos entender a inteligência como a “parte nobre” da atividade racional... Entendê-la como o uso coletivamente benéfico das faculdades intelectuais, deixando claro que a nossa condição de “seres intelectuais” não nos torna necessariamente “seres inteligentes”. Afinal, promover a super povoação do mundo é uma atividade intelectual, mas não é inteligente incentivá-la quando o lixo produzido por tanta gente polui o planeta e está ficando quase impossível abastecer de água potável tantos povos que vão sendo dizimados pela mais cruel das misérias: a indiferença dos mais favorecidos, cujo único interesse é tornar crescentes os mercados para os seus produtos, precisando de gente. Muita gente! 
A ONU vaticina que seremos 12 bilhões de seres humanos dentro de 30 anos, portanto urge definir se vamos continuar sendo apenas “racionais”, ou enfim, inteligentes. Os cientistas já estão assumindo a função de “Deuses”. Precisam definir quais espécies poderão viver em nosso planeta, já que muitas outras terão que ser eliminadas para dar lugar às nossas lavouras transgênicas! Já  somos responsáveis pelo desaparecimento de dezenas ou centenas de espécies todos os dias. Estará a humanidade tão confiante em que a biogenética lhe dotará dos poderes Divinos, para criar ou recriar as espécies que quiser... quando precisar? Ou estará a humanidade tão estupidamente cega, ao ponto de não perceber que está destruindo o planeta?

        C O N T A - G O T A S       

“PENSE GRANDE!” 

– Quem já ouviu falar em “Alexandre, o Médio”? –

 (Citado em PEGN - 29/11/1999).

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" Ser feliz não é um sonho, é uma decisão ! "

( Citado por Maria Nazaré da Cunha Matos / Magazan-Belém-Pa. )

                              [ ÍNDICE ]                                 Até breve!                     
Sergio Silva