Abril 2000
Home Acima Dezembro 1998 Janeiro 1999 Fevereiro 1999 Março 1999 Abril 1999 Maio 1999 Junho 1999 Julho 1999 Agosto 1999 Setembro 1999 Outubro 1999 Novembro 1999 Dezembro 1999 Janeiro 2000 Fevereiro 2000 Março 2000 Abril 2000 Maio 2000 Junho 2000 Julho 2000

 

REFLEXÕES  SOBRE  A  ÁGUA...
Tudo o que você precisa saber sobre a água, agora também na Internet: sergiosilva@higiservice.com.br

==ANO X== Nº. 117 ===== ABRIL / 2000 ==== Colaboração Sergio Silva ===========

O LIBERAL” ENFATIZA OS PROBLEMAS DA ESCASSEZ DE ÁGUA

Temos que enviar  um voto de louvor ao diário paraense “O Liberal”, que tem focalizado cada vez mais o crucial problema da escassez de água no mundo. Através de suas matérias e reportagens o jornal tem contribuído consideravelmente para a conscientização do público em geral, especialmente quanto à necessidade de evitar o desperdício desse líquido precioso.
Uma nota distribuída pela France Press, publicada pelo O Liberal em 16 de março, sobre o Foro Mundial de discussão realizado mês passado em Haia, com o objetivo de sensibilizar a opinião pública e os dirigentes do planeta sobre a escassez de água, que se agravará no século XXI.
O Foro Mundial da Água agrupou três eventos, com mais de 3 mil participantes em 86 mesas redondas e centenas de seminários. Paralelamente, a feira-exposição na qual as agências da ONU e as multinacionais do setor mostraram aos 30 mil visitantes, as suas alternativas para abastecer corretamente de água os seis bilhões de habitantes do mundo, que chegarão a oito bilhões em 2025.
Uma conferência de dois dias, com ministros de Meio Ambiente ou de Recursos Hídricos representando cerca de cem paises encerrou o Foro, com a adoção em 22 de março, Dia da Água, de uma declaração de caráter geral e mais três relatórios elaborados por órgãos patrocinados pelo Banco Mundial. O primeiro, “Visão Mundial da Água”, redigido pelo Conselho Mundial da Água, descreve a situação atual e faz uma previsão caótica para 2025, se novas estratégias não forem adotadas. O segundo é um “Padrão de Ação”, pela Associação Global da Água, que dá sugestões para mudar a situação. O terceiro é um resumo preparado pela Comissão Sobre a Água no Século XXI.
Os três textos lembram que se não for adotada uma política de luta contra a má administração e a contaminação da água, 3 bilhões de pessoas estarão sofrendo as conseqüências da escassez de água em 2025. A maioria dos países do hemisfério sul estará nessa situação e se produzirão conflitos nas regiões mais áridas. Os países ricos, por sua vez, não escaparão de conflitos regionais.
O Foro de Haia “não é uma conferência diplomática, e sim um foro mesmo”, declarou Aalt Leusink, um dos chefes do comitê organizador, afirmando que o objetivo do evento não é realizar grandes discursos e sim reunir o maior número possível de pessoas, para que a gravidade dos problemas seja compreendida e o esforço necessário para solucioná-los, seja aceito e praticado.
Quando esteve em Belém, o ex-presidente e atual consultor da Vale, Eliezer Batista, disse que a Amazônia tem a maior reserva de água doce do mundo. Sua bacia hidrográfica é uma riqueza que precisa ser valorizada. Eliezer citou um dado surpreendente: até chegar ao consumidor, um simples hambúrguer terá absorvido, ao longo de toda a sua cadeia de produção, o correspondente ao consumo de 700 litros de água.      (fonte: O Liberal)

REUSO DAS ÁGUAS SERVIDAS OU DESSALINIZAÇÃO?

Muito já se estudou e divulgou sobre os meios de reutilizar as águas servidas para fins menos nobres, ou mesmo sobre a dessalinização da água dos mares, para fins de consumo humano. O problema não é a falta de tecnologia para isso. Em lugares desérticos, tipo dos antigos kibutz em Israel, em instalações piloto e outros, a tecnologia já demonstrou ser capaz de transformar uma água de esgoto em água rigorosamente potável outra vez. Aliás, de certa forma, esse milagre também é desempenhado pela própria natureza, no conhecido ciclo hidrológico.
Mas a natureza está começando a perder feio para o crescimento da densidade demográfica, desvairadamente ambiciosa, que polui criminosamente o ambiente, auferindo lucros imediatos, mas sem se preocupar com o bagaço que sobrará para as futuras gerações...
A vertiginosa velocidade com a qual nós, os chamados “seres inteligentes e superiores”, estamos destruindo a natureza, não dá a ela o tempo de se regenerar, ou ao ciclo hidrológico, de cumprir o seu papel.
Por outro lado, enquanto o tratamento das águas superficiais para consumo humano permanecer lucrativo, não acredito que haja disposição para investimentos em redes públicas alternativas destinadas a fornecimento de água menos cara, para lavagem de veículos, irrigação e tantas outras finalidades que dispensam o uso de água de primeira qualidade. É incrível, mas há pessoas que usam a mangueira de jardim como uma vassoura hidráulica, para lavar a calçada com água clorada, fluoretada e analisada!
A morte de três milhões e quatrocentas mil pessoas –metade são crianças- a cada ano, vitimadas por doenças relacionadas com a água, parece não doer na consciência da maioria, ao ponto de faze-las arregaçar as mangas para tomar providências que minimizem esse quadro.
Mas posso afirmar que, com a poluição crescente, o tratamento da água ficará tão caro ao ponto de doer no bolso das pessoas. Então elas farão algo sobre o assunto.
No Brasil, a discussão sobre os recursos hídricos ainda está no início. O país recebe muitas críticas internacionais relativas a esse assunto. Há estimativas de que 50% das praias brasileiras estejam poluídas por esgotos - quase a totalidade dos esgotos domésticos e industriais é despejado, sem qualquer tratamento, nos cursos d’água -, petróleo ou lixo tóxico. Não há programas de contenção, de controle do crescimento urbano e da instalação das indústrias, da devastação das áreas verdes nas margens dos rios e há uso abusivo de agrotóxicos. Daquilo que plantamos, teremos a colheita. Mesmo que demorem, as conseqüências virão. Preparem seus filhos.

 

"É lamentável não poder enxergar, mas é abominável não querer enxergar."  ( S. Silva )

                              [ ÍNDICE ]                                 Até breve!                     
Sergio Silva